Violência no parto: você já foi vítima?

Violência no parto você já foi vítima

Foto: Jack Hollingsworth/Corbis

Ultimamente, a violência na hora do parto tem se tornado cada vez mais comum. Com isso, aquele momento tão sonhado acaba se tornando um pesadelo. Isso acontece devido a inúmeros fatores, como o uso rotineiro do fórceps, a realização da episiotomia (incisão na área muscular entre a vagina e o ânus), a sedação da mulher, a separação da mãe e do bebê e o entendimento do parto como um evento patológico.

Essas violências ainda não são identificadas e acabam passando como algo normal. Por exemplo, pode parecer difícil de acreditar, mas tem muitos locais que impedem o pai de acompanhar o parto, representando o maior índice de violência no parto. Mas, de acordo com a Lei Federal 11.108/205, todo serviço de saúde deve permitir um acompanhante de livre escolha no pré-parto, parto e pós-parto.

Veja abaixo outros exemplos de violência no parto apontados por Ana Cristina Duarta, obstetriz e instrutora em capacitação de doulas.

- Tratar a mulher que está em trabalho de parto de forma agressiva, não empática, grosseira, zombadeira ou de qualquer forma que a faça se sentir mal.

- Tratar a mulher de forma inferior, dando-lhe comandos e nomes infantilizados e diminutivos, tratando-a como incapaz.

- Submeter a mulher a procedimentos dolorosos desnecessários ou humilhantes, como lavagem intestinal, raspagem de pelos pubianos, posição ginecológica com portas abertas etc.

- Fazer graça ou recriminar por qualquer característica ou ato físico, por exemplo, obesidade, estrias, pelos, evacuação e outros.

- Fazer qualquer procedimento sem explicar antes o que é, por que está sendo oferecido, quais os riscos e benefícios em fazê-lo ou não e, acima de tudo, sem pedir permissão.

- Submeter a mulher a mais de um exame de toque, especialmente por mais de um profissional, e sem o seu consentimento, mesmo que para ensino e treinamento de alunos.

- Cortar a vagina (episiotomia) da mulher quando não há necessidade. Discute-se a real necessidade em não mais de 5 a 10% dos partos.

- Dar um ponto na sutura final da vagina de forma a deixá-la menor e mais apertada para aumentar o prazer do cônjuge (conhecido como "ponto do marido").

- Permitir a entrada de pessoas estranhas ao atendimento para "ver o parto", quer sejam estudantes, residentes ou profissionais de saúde, principalmente, sem o consentimento prévio da mulher e de seu acompanhante com a chance clara e justa de dizer não.

- Submeter a mulher a uma cesariana desnecessária, sem a devida explicação dos riscos que ela e seu bebê estão correndo.

- Dar bronca, ameaçar, chantagear ou cometer assédio moral contra qualquer mulher/casal por qualquer decisão que tenha(m) tomado, quando essa decisão for contra as crenças, a fé ou os valores morais de qualquer pessoa da equipe, por exemplo, não ter feito ou feito inadequadamente o pré-natal, ter muitos filhos, ser mãe jovem (ou o contrário), ter tido ou tentado um parto em casa, ter tido ou tentado um parto desassistido, ter tentado ou efetuado um aborto, ter atrasado a ida ao hospital, não ter informado qualquer dado, seja intencional, seja involuntariamente.

- Separar bebês saudáveis de suas mães sem necessidade clínica.

Direitos da gestante

Caso esteja preparando a chegada de seu bebê, fique atenta. Caso sofra alguma dessas violências, segundo a advogada e socióloga Gabir Sallit, é possível tomar providências jurídicas. Também há canais de reclamação, como ouvidorias da Agência Nacional de Saúde e do Ministério da Saúde. Afinal, nem sempre um processo judicial é necessário. Há ouvidorias na Agência Nacional de Saúde e no Ministério da Saúde.

Para qualquer imprevisto, é fundamental guardar os documentos de forma organizada. Cartão de gestante, exames, guia de internação, contrato com o hospital, termos de consentimento "esclarecido", recibo da taxa de acompanhante, plano de parto etc. Também pode-se pedir o prontuário da mulher e o do bebê. "Lembre-se que a responsabilidade de cada denunciante é enorme e tem sérias implicações na vida de todas as outras mulheres", conta Gabi.

Vivenciar uma situação de violência é algo extremamente doloroso e suas lembranças podem acompanhar a mulher por meses, anos ou até mesmo por toda a vida. "Dentre as 'marcas' deixadas, estão baixa autoestima, sentimento de que foi incapaz ou que possui um corpo falho, culpa por ter colocado seu bebê em risco, frustração, tristeza, depressão pós-parto, dificuldades para amamentar e para reconhecer o bebê como seu filho e estresse pós-traumático", contam as representantes da rede Parto do Princípio.

Para um parto sem problemas, elas separaram algumas dicas. Confira!

- Procure informações sobre o parto e as recomendações da Organização Mundial de Saúde.

- Busque informações sobre o seu corpo, sobretudo, a respeito do períneo (região entre o ânus e a vagina).

- Procure saber quantos partos normais o seu médico acompanha em um mês. Procure enfermeiras obstétricas e obstetrizes que acompanham pré-natal e parto normal.


- Elabore um Plano de Parto com os procedimentos que quer e os que não quer que sejam feitos em você e discuta-o com o médico e com a equipe hospitalar envolvida no parto.

- Não permita que ninguém desconsidere as suas vontades a respeito do parto, nem mesmo dentro do hospital.

- Tire todas as suas dúvidas, converse sobre os seus medos e desfaça os mitos na sua cabeça, pois é nela que um bom parto começa.

Por Marisa Walsick (MBPress)

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