Por que existe falta de incentivo ao parto normal?

Na contramão do parto normal

Foto - Jim Craigmyle/Corbis.

As informações sobre parto normal não costumam ser frequentes nas salas de pré-natal. Alia-se a isso o fato de que, muitas vezes, os médicos apresentam mitos e motivos absurdos para, psicologicamente, induzir as mulheres à cesariana.

Basta recordar o fato de, na última segunda-feira (31), Adelir Carmem Lemos de Goes, de 29 anos, ter sido obrigada pela Justiça de Porto Alegre a parir sua filha por meio de uma cesárea devido ao argumento médico de que seu bebê estava sentado e corria risco de vida em um parto normal. Ela foi levada de sua casa até o hospital conduzida por policiais. Os exames, segundo o marido de Adelir, não mostraram a posição citada pela médica.

O principal motivo do desincentivo ao parto normal é o sistema de saúde no Brasil. Nos consultórios, por exemplo, a maioria das mulheres usam convênios, que pagam o mesmo valor para uma cesárea e para um parto normal - de R$ 300 a R$ 500. No entanto, o parto normal pode levar horas enquanto uma cesárea dura cerca de uma hora.

Para se ter uma ideia, cinco cesáreas equivalem a um único parto normal. Sendo assim, alguns médicos induzem a paciente à cesárea. Alguns "assustam" a futura mãe com mitos sobre a perda da libido devido ao corte vaginal, dores, ou até que o corpo da mulher não vai voltar ao normal.

"Os médicos e hospitais deveriam cumprir, pelo menos, o que a OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda, de que apenas 15% dos partos sejam cirúrgicos. A medicina mesmo comprova fisiologicamente que um parto estressante para a mãe, é estressante para o bebê", afirma Adriana. Atualmente, o Brasil é o segundo país do mundo com mais cesarianas em relação ao total de nascimentos.

Para Adriana Vieira, responsável pelo grupo "Roda de mães da Baixada" no Facebook, "o parto deve ser um evento da família e não visto apenas como uma rotina hospitalar. Não é uma doença e, sim, saúde. Por isso precisamos de médicos obstetras que se lembrem de que a palavra obstetrícia significa ‘observar’!"

Fechamento de pronto-socorro obstetrício

O anúncio do fechamento do pronto-socorro obstétrico da Casa de Saúde de Santos, em São Paulo, deixou diversas mães e mulheres aflitas. De agora em diante, a instituição realizará exclusivamente partos cesarianas agendados, sendo que a maioria dos obstetras em Santos que atendem pelo plano de saúde fazem a cobrança do parto a parto a parte.

Indignada com a decisão Adriana Vieira promoveu um protesto junto com as participantes para o último domingo (6), na Praça da Independência, às 10h.

A também jornalista e educadora perinatal recebeu a voz de gestantes e suas famílias, com maridos, filhos pequenos e avós, na manifestação "por uma gestação melhor, por um parto respeitoso e amoroso e por um pós-parto saudável".

"Não sabemos como será quando as mulheres precisarem de atendimento emergencial. Existe a opção de ir a São Paulo, mas quantas têm essa chance? Se a prefeitura aceitar o fechamento da Casa de Saúde, precisarão nos dar algo em troca, porque outros hospitais não terão como realizar 300 partos por mês e mais de mil atendimentos de urgência", reclamou em entrevista ao "Vila Mulher".

Com o fechamento do pronto-socorro da instituição, plantonistas foram demitidos e emergências não serão mais aceitas no local, que realizará apenas partos agendados previamente.

Outra questão levantada por Adriana é que, mesmo com um parto agendado, o bebê pode nascer antes ou depois da data - acarretando diversos problemas em ambos os casos, inclusive a morte do filho ou da mãe.

O Vila Mulher entrou em contato com a Casa de Saúde de Santos para obter esclarecimentos, mas até a data da publicação não obteve resposta da instituição.


Por Juliany Bernardo com Alessandra Vespa (MBPress)

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